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quinta-feira, 26 de março de 2015

A importância do colete salva-vidas

(Por Marcelo Rodrigues Maia Pinto - 26/03/2015)

Ainda me surpreendo ao ver que muitas pessoas navegam sem colete salva-vidas, principalmente em caiaque e Stand-up. No caso do Stand-up a frequência é muito maior de pessoas sem colete salva-vidas, aliás, é muito raro ver alguém remando um Stand-up usando o colete salva-vidas. Vamos então esclarecer a necessidade do uso do colete salva-vidas.

Em primeiro lugar podemos observar que existe uma infinidade de colete salva-vidas no mercado, cada um com sua especificidade e utilização correta. Muita gente se engana ao achar que somente aqueles coletes tipo canga, alaranjados que fazem parte da salvatagem dos barcos maiores é adequado. Estes coletes tipo canga são mais comuns por serem os mais baratos, mas são dedicados ao uso em emergência em naufrágio, para isso foram projetados. Bem diferente do colete para uso esportivo.

A primeira diferença é realmente o propósito do colete. Quando é usado para salvatagem, o colete tem formato e tamanho a atender uma gama de tipos físicos, tamanhos e pesos de pessoas que necessitam permanecer flutuando, com a cabeça para fora d'água garantindo a respiração, mesmo inconsciente. Portanto são adequados e confortáveis para ficar parado flutuando dentro d'água.

Colete Salva-vidas tipo canga para Salvatagem


Já os coletes para prática esportiva são mais caros e são feitos especificamente para a prática do esporte a que se destinam. São desenhados e confeccionados para garantir flutuabilidade e principalmente, conforto durante a prática do esporte ao qual se destina. Desta forma podem garantir a segurança do usuário e ao mesmo tempo não atrapalham. É certo que devido a modismos, marcas esportivas e material utilizado na confecção, os coletes para prática esportiva podem atingir valores significativamente altos, mas normalmente tem custo compatível com o esporte a ser praticado. Esportes mais caros usam coletes mais caros.

Colete Salva-vidas para prática esportiva, modelo mais barato e comum, atende muito bem à maioria dos esporte náuticos como vela e remo.


Coletes Salva-vidas específicos para Jet Ski 


O acidente, como o próprio nome diz, é algo inesperado. Muitos vão pensar e dirão: Mas eu sei nadar. Sim, uma condição importante para a prática de esportes aquáticos. Saber nadar normalmente não garante a sobrevivência. Vamos dar como exemplos os dois casos mais frequentes de acidentes com vítimas pela falta de uso do colete salva-vidas.
- Ao remar o Stand-up ou caiaque, a pessoa está praticando um exercício físico e consequentemente está gastando energia e requer preparo físico adequado. Tanto os caiaques quanto os Stand-ups conseguem facilmente atingir 2 nós de velocidade, o que nos dá 1.852 x 2 = 3704 metros percorridos em uma hora, ou 61,73 metros por minuto. Uma remada de 10 minutos levará o remador a uma distância de 600 metros da margem, ou seja, 12 piscinas olímpicas em comprimento. Só bons nadadores com bom preparo físico conseguem nadar tranquilamente esta distância, mas se acrescentarmos ondas, vento e correnteza, muitas vezes nem todos esses nadadores conseguirão. Podemos ainda acrescentar o cansaço de já estar remando e aí a combinação pode ser muito perigosa. E é exatamente esta combinação que envolve os acidentes. A pessoa está remando, se divertindo sem o colete salva-vidas, sofre uma queda do caiaque ou Stand-up e por correnteza ou vento se separa do caiaque ou prancha e passa a necessitar de flutuar e se deslocar na água por esforço próprio. Pelas razões já apresentadas, nem precisa ser muito esperto para concluir que o resultado será trágico se não houver nenhum tipo de socorro em curto espaço de tempo.
- Outra situação muito mais comum que se imagina são produzidas por mal súbito. Gozo de boa saúde não quer dizer que a pessoa não vá passar mal. Queda na taxa de glicose, desidratação, queda nos níveis de eletrólitos, ensolação e outros, são causas comuns de mal súbito durante a prática esportiva. Quando falo em mal súbito, não necessariamente significa que a pessoa vai desmaiar, pode gerar uma fraqueza, moleza ou fadiga excessiva. Qualquer um desses sintomas pode provocar desequilíbrio e queda na água, inclusive inconsciente em casos mais extremos. Sem o colete salva-vidas a vida estará em risco e se manterá por um curtíssimo espaço de tempo. Com colete salva-vidas a vida pode ser prolongada até a pessoa se recuperar ou ser socorrida.

Sendo assim, procure um colete adequado ao seu esporte e garanta sua segurança. Evite colocar sua vida em risco por falta desse acessório essencial.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Motorar x Velejar

Há que se fazer algumas distinções para que tenhamos bons argumentos para explicar a diferença entre motorar e velejar. Primeira distinção é com relação ao tipo de barco a motor, existem os barcos rápidos como lanchas por exemplo e existem os barcos lentos, como as traineiras. São barcos completamente diferentes em termos de uso e deslocamento.
As traineiras, de uma forma geral, são barcos de serviço, como o próprio nome diz carregador de trainas, ou coisas. São barcos lentos com motores normalmente econômicos que conferem grande autonomia de horas na água. Nessa categoria entram também os TRAWLERS, que são barcos confortáveis e destinados a cruzeiros, derivados ou inspirados em barcos de serviço, como traineiras. As lanchas utilizam cascos de planeio e são capazes de atingir grandes velocidades. Normalmente utilizam motores potentes e nem sempre econômicos, percorrem grandes distâncias em curtos períodos de tempo.
A segunda distinção é com relação aos veleiros. Os veleiros, ah, esses são apaixonantes. Existem basicamente dois tipos de veleiros entre as milhares de subdivisões possíveis. São os veleiros de regata e os veleiros de cruzeiro. Lógico que existem centenas de tipos, tamanhos e formas. Mas vamos nos ater somente a essas duas divisões. Os veleiros de regata são aqueles construídos exclusivamente para atingir a melhor performance dentro da categoria que faz parte. Normalmente tem o conforto sacrificado para ganhar leveza e performance. Usam áreas vélicas enormes em relação ao tamanho do barco. Costumam ser velozes e muito ágeis em manobras, o que confere um velejar mais tenso.
Os veleiros de cruzeiro, como o próprio nome sugere, são destinados a percorrerem grandes distâncias com o maior conforto possível. Usam áreas vélicas menores, costumam ser mais pesados e privilegiam o conforto e habitabilidade da sua tripulação. Preferem uma combinação mais justa entre conforto e desempenho.
Feitas estas distinções, podemos entrar no aspecto principal que é a escolha entre motorar e velejar.
A primeira consideração é com relação à destinação do barco, seu uso principal. Se a motivação do uso é deslocamento entre um determinado ponto e destinos pré estabelecidos, não há o que questionar, tem que ser barco a motor, quanto mais rápido melhor. Já se o objetivo principal é passear aí a velocidade perde o sentido. Nesse caso a escolha vai ficar entre um barco a motor mais lento ou um veleiro. Se tem horário de saída e chegada, o barco é a motor, não tenha dúvida. Se não tem horário a cumprir, aí vão considerações de conforto a bordo. Um veleiro monocasco sempre anda adernado, isso incomoda muita gente, principalmente quem não está acostumado a velejar. Outra consideração importante é com relação ao tamanho da área habitável, que em um veleiro é restrita e cheia de cabos, catracas, moitões etc.. Enfim, parece que sempre o barco a motor leva vantagem. Isso é verdade, apesar de muita gente não admitir. Além do mais tem a questão da manutenção, um veleiro de cruzeiro tem motor, mastro, estaiamento, velas, cabos, catracas... . Já deu para imaginar que em um barco a motor só tem o motor.
Bem, isso tudo é verdade, mas se existe uma coisa que nenhum barco a motor permite é o prazer de velejar. Para quem veleja, uma saída de barco já o motivo, o velejar é suficiente, não há necessidade de destino, o que importa é o caminho, é a atitude, a conquista de se deslocar para onde quiser mesmo com o vento contrário. É o exercício da paciência quando não tem vento. É o prazer da aventura.
Portanto, a escolha é realmente pessoal. Cada um tem suas necessidades individualmente.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Celebrando o nascimento

Não foram poucas as vezes que ficava olhando os mastros estaiados dos grandes veleiros imaginando uma linda árvore de natal. De fato alguns velejadores iluminam os estais do mastro de seus veleiros quando chega a noite. É uma visão belíssima de luzes perfiladas que se reflete na água. É mesmo a visão de uma árvore de natal iluminada.

Nessa época de final de ano temos uma transformação na sociedade voltada para a bondade e caridade. Alguns chamam de espírito de Natal. Outros chamam de aproximação com Deus. Outros consideram apenas marketing. Seja o que for, nessa época do ano as pessoas tendem a se concentrar mais em energias positivas e bons pensamentos. Isso transforma a energia das cidades para uma leveza que todos gostariam que imperasse por todos os dias do ano.

No meu coração reina ainda mais forte a vontade de ver os veleiros com seus mastros acesos à noite. Singrando pela escuridão das águas com suas árvores de Natal acesas. Tenho certeza que em algum lugar os velejadores se utilizam dessa imagem para comemorar o Natal.

Natal, tem o significado voltado ao nascimento, o nascimento da fé de um povo cristão. Povo esse que compõe a grande maioria da população brasileira. O nascimento de Jesus significa o nascimento da fé, a luz na escuridão da falta de esperança. A crença de que tudo pode se transformar de acordo com a vontade de Deus e amor de seus fiéis.

Tendo fé em dias melhores e muito mais amor na terra, é que imagino a celebração do nascimento do amor no coração das pessoas, vindo das águas em barcos iluminados. Mostrando que o infinito também pode trazer luz. Que de longe pode vir a esperança. Que para longe podemos mandar o amor. Que todos unidos pelas águas podem somar fé e esperança transformando a suavidade do navegar em ondas de cooperação, união, caridade e amor.

Tenhamos todos um feliz nascimento do amor dentro de nós. Que saibamos acalentar esse rebento em nossos corações para que ele cresça e se multiplique para todo o mundo.

(Marcelo Rodrigues Maia Pinto - 16/12/2014)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Conhecimento náutico e a vida

A arte da navegação é um complexo de conhecimentos acumulados ao longo de muitas gerações. Toda e qualquer habilidade deve ser aprimorada com conhecimento, na náutica não poderia ser diferente. Aliás o aprendizado da navegação é muito rico e interessante. Daí pode ser comparado com o próprio viver.

Estabelecer um destino, calcular a rota e criar objetivos e metas, são etapas do planejamento de qualquer viagem, seja em uma embarcação, veículo terrestre ou à pé. Conhecer o caminho a ser percorrido, ler as cartas náuticas verificar os riscos à navegação e estabelecer a melhor rota. Analisar previsões do tempo e condições do mar. Verificar equipamentos e recursos disponíveis, adequar à rota e partir para a viajem. Durante o trajeto ajustes são necessários, correções de rumo, reestabelecimento de objetivos, reprogramação da viajem e até atuação em contingências e emergências.

Na vida é exatamente deste jeito. Planejamos, analisamos e quase tudo vai mudando ao longo do percurso, inclusive nossas crenças e nossos valores. Vamos amadurecendo e evoluindo até o nosso destino final. Alcançamos alguns dos nossos objetivos, outros são suprimidos do caminho e tantos outros são adotados em razão das contingências. Quanto mais preparados para a vida, menores se tornam os problemas a serem resolvidos, ou melhor, não são os problemas que se tornam menores, mas como somos mais capazes de solucionar, esses problemas são resolvidos mais facilmente.

Voltemos à navegação. Quanto maior o conhecimento e a experiência melhor a condução da embarcação, menos risco corre ao navegar e mais facilmente são solucionados os problemas.

E assim vamos às nossas aventuras pelos mares, pelos livros, pelas ruas, pelos caminhos desse presente que é a nossa vida. O destino de todos nós é a morte, a nossa embarcação é o nosso corpo, mas o caminho de cada um é único, nosso combustível é a felicidade e o amor.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

VELEJAR, O JOGO

Em tempos de mundo virtual, os jogos cibernéticos dominam o imaginário dos jovens. São estimulantes e entretêm por muitas horas em frente às telas. Os desafios propostos estimulam as pessoas a buscarem habilidades em conduzir seus personagens em aventuras virtuais onde não existem riscos à integridade física, onde tudo é possível. Mas esse novo mundo proposto consegue tornar as pessoas melhores? Será que aumenta o entendimento da vida real?

Essas perguntas provavelmente terão respostas negativas em função do comportamento das pessoas no mundo real. As tentativas de transferir para a realidade tudo que foi aprendido no mundo virtual mostra claramente a imaturidade e falta de conexão com a realidade.

Por outro lado a prática da vela pode ser encarada como um jogo, nos mesmos moldes dos cibernéticos. Velejar é um desafio permanente. Os objetivos serão vencidos à medida que o aprendizado e as habilidades forem evoluindo. Fazer o barco se movimentar com o vento, colocá-lo no rumo certo, estabelecer um objetivo, traçar rotas, avaliar percurso e finalmente concluir o caminho.

Tudo funciona do mesmo jeito que um jogo, a diferença é que é real, as experiências são reais. Os sentidos serão utilizados para suprir as necessidades do organismo. Tudo que acontecer será sentido e vivenciado. Haverá contato com o mundo, necessidade de integração com a natureza e o clima. Calor, frio, sol, chuva, umidade ou secura serão experimentados. Haverá necessidade de estabelecer relacionamentos, criar responsabilidades e integração.

Como seria o mundo se mais pessoas praticassem a vela? Imagino que teríamos pessoas mais calmas, amadurecidas e responsáveis. Seria um mundo mais comprometido com a natureza. Aliás natureza da qual fazemos parte e dependemos para sobreviver. Acredito na educação das crianças, na conexão com a realidade através de vivências lúdicas e prática desportiva saudável. Há que se buscar isso para que o mundo seja melhor, para que possamos passar a diante um mundo melhor do que recebemos. Acredito que ainda dá tempo e tem muita gente atuando nesse sentido. Devemos apoiar e incentivar todas as boas iniciativas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O VELEJADOR E O JIPEIRO

Quando escolhemos nossos caminhos estamos exercendo a mais pura forma de liberdade. E é desfrutando desse imenso poder sobre nós mesmos que desnudamos a nossa essência.

Há muitos anos quando ministrava cursos de Qualidade Total na empresa em que trabalhava,  eu exibia, logo na abertura do curso, uma imagem de dois carros um ao lado do outro.  Era um Jipe e uma Ferrari. Logo em seguida eu perguntava: Qual é melhor?  Qual tem mais qualidade? Obviamente todos apontavam a Ferrari.
Em seguida eu apresentava a imagem de uma estrada de terra cheia de erosões com ladeira. Nesse momento eu perguntava : O caminho é esse. E agora,  qual carro é melhor? Nesse momento todos apontavam o Jipe. Daí eu começava a introduzir os conceitos de adequação,  funcionalidade e utilidade.

Hoje eu estava lembrando dessas imagens e repensando a minha vida. Por que eu uso um Jipe Engesa a 13 anos? Por que eu gosto tanto de velejar? Essas questões me intrigaram e passei a buscar respostas.
Lembrei do lema da Engesa: "Quem tem Engesa não precisa de estrada". Esse lema diz muito mais sobre nós mesmos do que sobre o mundo fora de estrada.

Um Jipeiro é por essência uma pessoa livre e desapegada. Gosta de decidir seus rumos,  seus caminhos e seus objetivos.  Não gosta de limites. Acredita que os obstáculos são desafios a serem superados. Traça metas e objetivos.  Se prepara para as piores condições.  Estuda rotas, obstáculos e alternativas. E sai determinado a atingir o objetivo escolhido.

Alguma semelhança com o velejador?

Pois é,  fiquei agora imaginando uma foto de uma bifurcação onde um lado seria uma longa estrada asfaltada,  lisa,  larga e reta. O outro lado seria uma estrada de terra estreita,  íngreme e cheia de erosões.  No meio haveria uma placa escrito DESTINO e duas setas apontando uma para cada lado, indicando que os dois caminhos levam ao mesmo lugar.

Daí eu perguntei pra mim mesmo: Qual caminho eu escolheria?  Você tem alguma dúvida de qual foi a resposta? Claro que foi a trilha. Daí vem outra questão: Mas, por que? Essa foi bem mais difícil de responder.
Pela lógica eu deveria escolher o caminho mais fácil. Menos energia e esforço para chegar ao mesmo resultado. Mas aí coloco os ingredientes da aventura,  do desafio e da superação. Nesse momento aparece a essência do indivíduo. É o exercício do livre arbítrio. Nem todos chegarão ao destino almejado,  somente os mais preparados e capazes de enfrentar os obstáculos avançarão pelo caminho.

Assim é a nossa vida. Nós escolhemos nossos caminhos. Devemos fazer essa escolha em cada bifurcação.  Devemos avaliar nossas limitações e capacidade em cada etapa. Saber quando devemos pedir ajuda. O mais importante é determinar até onde podemos e queremos seguir sozinhos. Qual sacrifício estamos dispostos a fazer pela nossa escolha?

Agora já deu para perceber que o velejador é o jipeiro dos mares. É a pessoa que está em contato direto com os elementos da natureza. É o ser humano que tem prazer em enfrentar o desafio de escolher seu destino e enfrentar todos os obstáculos impostos. Escolhe estratégias,  estabelece metas e objetivos.  Estuda rotas e meteorologia.  Escolhe por onde quer ir.

Essas pessoas são assim. Está no sangue. Por isso tem as estradas asfaltadas,  os carros esportivos,  os barcos a motor e as lanchas, para as pessoas que não são assim, que preferem outros desafios. E assim temos que nos entender e nos aceitar como somos. Saber que escolhas e avaliações erradas nos trazem problemas maiores do que somos capazes de enfrentar. Nesses momentos devemos reavaliar nossas escolhas,  pedir ajuda e recuar.  Recuar sim, porque voltar atrás permite que seja escolhido um novo caminho.

(Marcelo Rodrigues Maia Pinto - 26/11/2014)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

IPEZIM - Feito com amor

No início de 2014 eu ví uma moça sentada em um banco olhando para a enseada de Jurujuba, tinha uma enorme mochila ao seu lado e uma expressão contagiante de alegria em sua face. Não entendi muito bem aquela situação, mas segui minha vida. No dia seguinte encontrei novamente a mesma moça no galpão náutico do Jurujuba Iate Clube, tentando cobrir com pedaços de plástico uma quilha de ferro fundido, para protegê-la da chuva que ameaçava cair. Neste momento me prontifiquei em ajudar e ofereci uma pequena lona plástica que havia em meu carro para cobrir o restante. No dia seguinte presenciei a chegada de um veleiro, ainda por ser terminado, em um caminhão sujo de pó de minério de ferro. Fiquei extremamente curioso e acompanhei o desembarque do veleiro. Lá estava novamente a moça da mochila, agora acompanhada de um homem barbudo todo empoeirado pelo mesmo pó de minério. Tanto o barbudo quanto a moça estavam radiantes. Esse foi o meu primeiro contato com o casal Luciana Alt e Vitor Moura, e o veleiro era o IPEZIM.

Nossa amizade começou quando tomei conhecimento da fantástica aventura que foi esse veleiro chegar até ali. Aventureira é aquela pessoa curiosa em aprender e experimentar o novo, é destemida em se lançar em desafios, corajosa em buscar o conhecimento necessário para vencer etapas e determinada em alcançar os objetivos estabelecidos. E hoje tenho certeza que esses dois são verdadeiros aventureiros.

A carioquíssima Luciana, ainda criança já praticava vela, participou de regatas e campeonatos em diversas classes. Ainda na fase escolar teve que acompanhar a família que havia se transferido para Belo Horizonte, local pouco adequado para a prática da vela. Mas com seu espírito aventureiro logo se engajou em grupos de espeleologia e passou a explorar as cavernas de Minas Gerais. Já há algum tempo nos grupos de espeleologia veio conhecer um jovem universitário que estava entrando nesse mundo das cavernas, Vitor Moura. Algum tempo depois vieram a namorar e posteriormente se juntaram. Uma união baseada em amor, sonhos e aventuras.

Vitor desde pequeno se interessava por barcos e sonhava um dia poder se aventurar pela costa brasileira ou até pelo mundo afora. Ora vejam que dessa união surgiria a idéia de se adquirir um veleiro para curtir novas aventuras. Mas o dinheiro não era suficiente e nem o local que moravam adequado. Depois de muitos estudos e várias hipóteses analisadas veio a ideia de se construir o IPEZIM.

Essa história é contada e ilustrada no Fotolog Veleiroipe (http://www.fotolog.com.br/veleiroipe/mosaic/).

Passaram-se dez anos e o IPEZIM foi lançado à água e hoje veleja pelas águas da Baía de Guanabara e arredores do Rio de Janeiro, mas tenho certeza que logo ganhará outros mares.

O veleiro IPEZIM é um Multichine 28 construído por Vitor e Luciana durante dez anos. Tenho certeza que só venceram cada um dos dias dessa jornada com muito amor e dedicação um pelo outro. Foram muitas as dificuldades relatadas pelo casal, todas superadas. Boa sorte ao Vitor e à Luciana e parabéns pelo excelente trabalho que fizeram.


Vitor e Luciana no Veleiro IPEZIM em 06/11/2014


Vitor e Luciana no Veleiro IPEZIM em 06/11/2014 - Estavam instalando o radar.